Ontem passei a noite lamentando pela curta duração do tempo nublado e pela confusão que a chuva causou. Acredite se quiser, mas as luzes da minha casa agora acendem quando a gente liga o chuveiro (!!!). Me refugiando na frente da única TV que ainda dava sinais de vida, me entreti vendo A Liga, na Band. E eis que o tema era...? Traição.
Foi surpreendente ver o que as pessoas são capazes de fazer pra saber se estão sendo traídas... De detetive particular a sites que proporcionam os prazeres de enganar o parceiro, o programa foi bem interessante.
No fim, me peguei pensando "Afinal, o que é ser traído?"
Vendo todas as situações transmitidas pelas matérias, acabei crendo que nada é eterno e que tudo sempre acaba em traição (preciptado, talvez...).
As pessoas começaram a ver as outras como um objeto de satisfação e, quando esse objeto já não preenche todos os requisitos do dono, é trocado. Mas não descartado.
Parece que o mundo está mais possessivo a cada dia...
Todos os dias me pergunto como um artista perfeito pode não ser conhecido pelo público. Então, me lembro que a maior parte do público atual é composta por pessoas sem o mínimo de crítica.
Mas o fato é que Emilie Autumn deveria ser bem mais conhecida do que é.
Com uma história penosa e uma voz fantástica, não foi sem razão que Emilie se tornou, instantaneamente, minha cantora favorita.
"Quantos anos você tem?
Sou mais velha do que você um dia será
Eu estive morta por mil anos
e vivi somente dois ou três
Eu não em importo em lhe contar
que a minha vida acabou pelas suas mãos -
o tipo de assassinato onde ninguém morre -,
mas eu não acho que você vá entender
(Parem as buscas;
Nós a achamos)"
Emilie Autumn Liddell nasceu em Malibu (Califórnia) no dia 22 de Setembro de 1979. Aos quatro anos de idade, ela começou seus treinos de violino.
E.A. foi sempre uma grande apreciadora das artes, sejam elas escritas, musicadas ou mesmo encenadas.
Aos dez anos de idade, a garota já estava inscrita na Escola de Performances Artísticas Colbourn.
Abandonou a forma convencional de estudos devido às agressões sofridas pelos companheiros de colégio, dedicando-se ao aprendizado em casa, onde lia "tudo o que estivesse debaixo do Sol". Emilie é grande fã de Shakespeare - muitas de suas músicas foram baseadas em suas personagens, como Opheliac e Juliet.
Aos quinze anos, conseguiu uma vaga na Escola Universitária de Música de Indiana, mas abandonou a mesma por conflitos que diziam respeito a seu gosto musical e roupas não convencionais.
Hoje, Emi possui sua própria gravadora independente - a Trisol Music Group.
Suas músicas são bem pecualiares, com letras geralmente feministas e fortes, que misturam realidade às suas constantes fantasias. Com um estilo que vai de Violino Industrial ao Gótico Clássico e ao Dark Cabaret, já teve seis discos lançados - além dos EP's, singles e versões de luxo -, sendo eles: On a Day... (primeiramente divulgado em 1997 e re-lançado no álbum Laced/Unlaced), Enchant (2003), Your Sugar Sits Untouched (2005), Opheliac (2006), Laced / Unlaced (2007), A Bit O' This & That (2007).
"4 horas
Fora da cama eu rastejo,
para alcançar a torre da vergonha,
mas a hora continua a mesma:
Somente a loucura sabe meu nome
às 4 horas"
"É um dia ensolarado no paraíso
e ninguém está por perto
para abrir os portões
E eu estou esperando você,
meu falso amigo,
ausente no final
Ausente no final..."
Além de compositora e cantora, Autumn é também uma poeta fantástica e uma grande escritora - Recentemente foi lançado seu livro The Asylum For Wayward Victorian Girls (em tradução literal, O Hospício Para Garotas Vitorianas Rebeldes), que pode ser classificado como thriller psicológico/autobiográfico/terror fantasioso. Manuscrita, a obra enche os olhos, com suas páginas ricamente ilustradas e apinhadas de informações (até mesmo esboços dos habitantes da instituição!). O preço pode parecer alto, mas vale cada mínimo centavo ter essa raridade nas mãos.
Embora ainda não possua nenhum videoclipe, é possível encontrar vários videos dos concertos de Emilie - que são verdadeiros musicais da Broadway. Os cenários e figurinos inteiramente complementam as canções, dignos dos filmes de Tim Burton.
Ela ainda é, digamos, desconhecida no Brasil, mas esteve em turnê por aqui em 2010 (ainda não acredito que perdi...), acompanhada por suas Bloody Crumpets - bloody é traduzido como "sangrento", enquanto crumpet é uma espécie de bolinho inglês (Emi é altamente fanática por doces, cupcakes e chá - tudo à la moda vitoriana).
As amigas de palco - sempre mulheres - vestem-se como a principal, além de cantar, dançar e se beijar (!).
"'Eu quero te prender no sol
Eu quero ser fiel a você
Eu quero te mostrar toda a beleza:
você ainda não sabe no que se prender
Eu estou te machucando pelo seu bem
Eu morreria por você ? Você sabe que eu o faria
Eu daria toda minha riqueza
para comprar de volta a alma que voce nunca vendeu
Eu quero misturar nosso sangue
e colocá-lo no chão
assim, você nunca poderá sair
Eu quero ganhar sua confiança,
sua fé, seu coração:
Você nunca será iludida'
Mentiroso, mentiroso, mentiroso, mentiroso"
Emilie Autumn já foi backing/violinista de Courtney Love, e, por cada poro do seu corpo, exala a mais pura arte. "Eu como, durmo e respiro minhas gravações." Essa é a afirmação de uma verdadeira e completa artista.
Ontem resolvi dar uma volta pelo shopping (tradução: única diversão possível nesse lugar abandonado). Eis que, no meio do mar de gente estranha, me vejo em uma exposição da boneca Barbie (!).
A exposição vai de 5 a 25 de Outubro no shopping Itaú, aqui em Minas, e é realmente fantástica.
Ken em versão Chapeleiro Maluco, na linha Barbie In Wonderland. Sério, eu quero. *-*
O que mais me surpreendeu foi a evolução do brinquedo: é direta a impressão de que as bonecas Barbie evoluíram de valor cultural e costumes das épocas para a mais pura imagem do consumismo.
Dentre os componentes da exposição estavam as linhas Barbie No País Das Maravilhas, Barbie - Senhor Dos Anéis, Barbie Marylin Monroe, Elvis Presley, E O Vento Levou...
Vale muito a pena observar as diferentes formas da tão conhecida boneca, reparando em como ela se adequa aos tempos em que é lançada.
E, embora as crianças prefiram asas de fada e glitter, vemos que o período dourado da Barbie talvez tenha ficado no passado.